O que é openBIM®? Padrões, benefícios e interoperabilidade

Este artigo foi revisado e atualizado em 9 de setembro de 2026.

openBIM é uma abordagem colaborativa baseada em padrões abertos e interoperáveis que permite compartilhar e utilizar informações BIM entre diferentes equipes, disciplinas e soluções tecnológicas. Seu objetivo é facilitar a colaboração sem que todos os participantes de um projeto precisem depender do mesmo software ou fornecedor.

Promovido pela buildingSMART International, o openBIM amplia o potencial do BIM ao criar condições para que informações digitais possam circular entre diferentes plataformas ao longo do ciclo de vida de um empreendimento ou ativo. Isso permite combinar ferramentas especializadas, organizar fluxos de informação e manter maior controle sobre os dados produzidos durante projeto, construção e operação.

O que significa openBIM?

O conceito de openBIM parte de um princípio simples: em projetos multidisciplinares, diferentes profissionais precisam trabalhar com a mesma informação mesmo quando utilizam tecnologias distintas.

Arquitetos, engenheiros estruturais, projetistas de instalações, construtoras, clientes e operadores podem utilizar softwares específicos para suas necessidades. Para que essas ferramentas consigam participar de um processo colaborativo, é necessário estabelecer formas consistentes de estruturar, trocar, verificar e comunicar informações.

É nesse contexto que entram os padrões e serviços openBIM.

Isso não significa, porém, que exista um único fluxo de trabalho que deva ser replicado em todos os projetos. A própria buildingSMART destaca que diferentes projetos podem combinar seus padrões e serviços de maneiras distintas de acordo com os objetivos, requisitos de informação, participantes e tecnologias envolvidas.

openBIM é, portanto, mais uma abordagem para organizar a colaboração e a interoperabilidade do que uma sequência rígida de ferramentas ou etapas.

Quais são os benefícios do openBIM?

A utilização de padrões abertos reduz a dependência de ecossistemas tecnológicos fechados e facilita a circulação da informação entre diferentes disciplinas e organizações.

Maior interoperabilidade entre ferramentas

Um dos principais objetivos do openBIM é permitir que dados produzidos em uma aplicação possam ser utilizados em outras ferramentas necessárias ao projeto.

Isso é especialmente relevante em empreendimentos multidisciplinares, nos quais modelagem, análise estrutural, instalações, planejamento, orçamento, coordenação ou operação podem exigir soluções tecnológicas diferentes.

A interoperabilidade reduz a necessidade de recriar informação manualmente e cria uma base comum para que diferentes sistemas participem do mesmo processo digital.

Liberdade na escolha da tecnologia

openBIM não exige que todas as empresas envolvidas trabalhem com uma única plataforma.

Cada participante pode escolher a solução mais adequada às suas necessidades, desde que o fluxo de trabalho e os requisitos de troca de informação estejam corretamente definidos.

Essa independência em relação aos fornecedores amplia a flexibilidade tecnológica e reduz a dependência de formatos exclusivamente proprietários. A própria buildingSMART coloca essa liberdade de escolha entre os princípios centrais do openBIM.

Melhor colaboração entre disciplinas

Interoperabilidade não significa apenas trocar arquivos.

Um processo openBIM também precisa estabelecer como as equipes comunicam problemas, coordenam modelos, verificam informações e acompanham responsabilidades.

Ao utilizar estruturas comuns para essas trocas, diferentes disciplinas podem trabalhar de maneira mais coordenada mesmo quando mantêm seus próprios modelos e ferramentas de autoria.

Maior continuidade dos dados

Os ativos construídos possuem ciclos de vida muito mais longos do que a maioria das soluções de software.

A utilização de padrões abertos favorece a acessibilidade e reutilização da informação independentemente da permanência de uma determinada aplicação ou fornecedor. O BIMcert Handbook 2026 destaca precisamente a independência de software, a autonomia da informação e sua utilização em longo prazo entre os benefícios da colaboração openBIM.

Quais são os principais padrões e serviços do openBIM?

O ecossistema openBIM evoluiu significativamente nos últimos anos. Atualmente, IFC, BCF e IDS cumprem funções diferentes e complementares, enquanto serviços como o bSDD ajudam a melhorar a consistência semântica das informações.

Principais padrões e serviços openBIM: IFC, BCF, IDS e bSDD

IFC: estrutura e intercâmbio de dados

IFC, ou Industry Foundation Classes, é um padrão aberto e neutro em relação a fornecedores para estruturar e compartilhar informação digital sobre ativos construídos.

Mais do que um simples formato de arquivo, IFC é um esquema de dados que estabelece como objetos, propriedades e relações podem ser descritos de forma interpretável por diferentes sistemas.

A versão oficial mais recente é IFC 4.3.2.0, também publicada como ISO 16739-1:2024, e amplia a cobertura do padrão para diferentes tipos de infraestrutura.

IFC e openBIM, no entanto, não são sinônimos. IFC é um dos principais padrões utilizados dentro de processos openBIM. A estrutura, as versões e os desafios reais de troca de dados são tratados com mais profundidade em IFC e interoperabilidade em BIM.

BCF: comunicação e gestão de incidências

BCF, ou BIM Collaboration Format, é o padrão openBIM voltado à comunicação baseada em modelos e à gestão de incidências.

Imagine que, durante a revisão de um modelo federado, seja identificada uma interferência entre uma viga estrutural e um duto de HVAC. Em vez de comunicar o problema apenas por e-mail ou por uma captura de tela sem contexto, uma incidência BCF pode registrar a localização do conflito, os elementos relacionados, o responsável, os comentários e o status da resolução.

BCF permite, portanto, acompanhar questões como interferências, solicitações de alteração, problemas de qualidade e tarefas de coordenação sem precisar transferir todo o modelo para comunicar cada ocorrência.

Atualmente, essa comunicação pode ocorrer tanto por intercâmbio baseado em arquivos quanto por serviços web. Na prática, a buildingSMART indica que a interação por APIs se tornou a forma mais habitual, enquanto o intercâmbio de arquivos permanece disponível e pode ser utilizado, entre outros casos, para arquivamento.

IDS: requisitos de informação verificáveis

Uma das evoluções mais importantes do ecossistema openBIM recente é o IDS, Information Delivery Specification.

IDS permite definir requisitos de informação de forma interpretável por computador. Em vez de registrar apenas em documentos ou planilhas que determinado elemento deve possuir uma propriedade, classificação ou valor, esses requisitos podem ser estruturados para que softwares consigam interpretá-los e verificar automaticamente se foram cumpridos.

Por exemplo, um IDS pode especificar que determinadas paredes precisam possuir uma propriedade de resistência ao fogo e determinar quais valores são admitidos. Posteriormente, um software de verificação pode analisar um modelo IFC e identificar automaticamente quais elementos cumprem ou não esse requisito.

A versão 1.0 do IDS tornou-se um padrão oficial da buildingSMART em junho de 2024. A edição 2026 do BIMcert Handbook também destaca a rápida adoção que o IDS alcançou nos últimos anos e seu papel crescente nos processos openBIM.

bSDD: uma linguagem mais consistente para os dados

O buildingSMART Data Dictionary, ou bSDD, cumpre outra função.

Não é um padrão, mas um serviço da buildingSMART que reúne dicionários de dados interconectados com definições de termos utilizados para descrever o ambiente construído. Pode incluir classes, propriedades, relações, classificações e traduções provenientes de diferentes organizações.

Essa estrutura ajuda diferentes agentes e sistemas a interpretar os dados de forma mais consistente.

Definições do bSDD também podem ser referenciadas em modelos IFC e em especificações IDS, conectando a estrutura dos dados aos requisitos concretos de informação.

Além desses elementos, o ecossistema atual da buildingSMART inclui serviços como o IFC Validation Service, o Use Case Management Service (UCM), as APIs da iniciativa openCDE e o Programa de Certificações de profissionais e de software. Nem todos precisam fazer parte de todos os projetos: sua utilização depende das necessidades de cada fluxo openBIM.

Como o openBIM funciona na prática?

Um processo openBIM pode começar com diferentes disciplinas produzindo seus modelos em ferramentas de autoria distintas.

Os requisitos de informação necessários para determinada troca podem ser definidos previamente e, quando adequado, estruturados em IDS. O bSDD pode ajudar a estabelecer definições comuns para objetos e propriedades.

Os modelos podem então ser compartilhados por meio de IFC para coordenação, análise ou outras finalidades previstas no projeto. Durante a revisão, BCF pode ser utilizado para registrar e acompanhar incidências sem alterar diretamente os modelos de autoria.

Quando o projeto utiliza um Ambiente Comum de Dados (CDE), essas trocas e comunicações podem fazer parte de um processo mais amplo de gestão da informação.

Essa combinação é apenas um exemplo. openBIM não obriga todos os projetos a utilizar exatamente os mesmos componentes nem na mesma sequência. O fluxo deve ser definido a partir da informação necessária, dos usos BIM previstos e das responsabilidades de cada participante.

openBIM garante interoperabilidade sem perda de informação?

Não automaticamente.

A utilização de padrões abertos cria uma base para a interoperabilidade, mas a qualidade de uma troca continua dependendo de fatores como os requisitos estabelecidos, a informação presente nos modelos, a implementação dos padrões pelos softwares utilizados, as configurações de exportação e importação e os processos de validação.

Por isso, a interoperabilidade não deve ser tratada apenas como uma questão de formato de arquivo.

Antes de uma troca, é necessário compreender qual informação precisa circular entre os sistemas, para qual finalidade será utilizada e como será verificado se foi entregue corretamente.

A tecnologia cria as condições para a interoperabilidade. A gestão da informação transforma essas condições em colaboração efetiva.

Qual é o papel do BIM Manager em processos openBIM?

À medida que aumenta o número de disciplinas, ferramentas e intercâmbios de informação, também cresce a necessidade de organizar esses processos.

BIM Manager participa da definição da estratégia BIM, dos requisitos de informação, dos padrões e formatos de intercâmbio, dos procedimentos de coordenação e dos critérios de qualidade que orientarão o trabalho das diferentes equipes.

Seu trabalho não consiste apenas em decidir qual formato será utilizado.

É necessário compreender que informação precisa circular entre diferentes sistemas, como será estruturada, quem será responsável por produzi-la e como sua qualidade será verificada.

Essa dimensão de gestão torna-se especialmente importante quando várias organizações trabalham no mesmo empreendimento utilizando diferentes tecnologias.

Por isso, profissionais que assumem responsabilidades de coordenação e gestão precisam desenvolver competências em gestão BIM, interoperabilidade, gestão da informação e processos colaborativos de forma integrada.

openBIM deixa, portanto, de ser uma questão exclusivamente relacionada ao software e passa a fazer parte da estratégia de gestão da informação do projeto.

openBIM ao longo do ciclo de vida do ativo

A informação produzida durante um projeto BIM pode ter utilidade muito além da fase em que foi criada.

Dados desenvolvidos durante projeto podem apoiar coordenação, construção, planejamento e custos. Posteriormente, parte dessa informação pode ser necessária durante entrega, operação, manutenção, reforma ou outras intervenções sobre o ativo.

A utilização de padrões abertos pode facilitar essa continuidade ao reduzir a dependência de uma única aplicação e criar estruturas de informação documentadas e acessíveis em diferentes momentos do ciclo de vida.

Isso não significa que toda informação produzida precise ser preservada indefinidamente. O objetivo é definir quais dados serão necessários, para quais usos e em que condições deverão ser entregues e mantidos.

Perguntas frequentes sobre openBIM

openBIM e IFC são a mesma coisa?

Não. openBIM é uma abordagem baseada em padrões e soluções abertas para favorecer interoperabilidade e colaboração. IFC é um dos principais padrões utilizados para estruturar e compartilhar dados dentro desses processos.

Quais são os principais padrões openBIM?

Entre os padrões mais relevantes estão IFC, utilizado para estruturar e compartilhar dados BIM; BCF, destinado à comunicação e gestão de incidências baseadas em modelos; e IDS, utilizado para definir e verificar requisitos de informação de forma interpretável por computador. O ecossistema também inclui serviços como bSDD, Validation Service e UCM.

Para que serve o BCF?

BCF permite comunicar e acompanhar incidências relacionadas aos modelos BIM, associando questões a elementos, localizações, responsáveis, comentários e estados de resolução. Isso facilita a coordenação entre equipes que podem utilizar diferentes softwares.

openBIM obriga todas as equipes a usar o mesmo software?

Não. Um de seus princípios é justamente permitir que diferentes participantes utilizem as tecnologias adequadas às suas necessidades, mantendo a capacidade de trocar e utilizar informações por meio de padrões e processos interoperáveis.

Qual é a relação entre openBIM e interoperabilidade?

A interoperabilidade é um dos fundamentos do openBIM. O objetivo é que diferentes sistemas e participantes consigam trocar e utilizar informações de maneira consistente, reduzindo barreiras entre plataformas e disciplinas.

De padrões abertos a processos mais conectados

A evolução do openBIM mostra que a interoperabilidade já não pode ser reduzida à exportação de um arquivo entre dois softwares.

IFC estrutura informações, IDS permite especificar e verificar requisitos, BCF organiza a comunicação baseada em modelos e serviços como o bSDD ajudam a tornar os dados semanticamente mais consistentes.

O valor surge quando essas tecnologias são combinadas com requisitos claros, responsabilidades definidas e processos adequados de gestão da informação.

É essa integração entre pessoas, processos, dados e tecnologia que permite transformar padrões abertos em colaboração efetiva ao longo do ciclo de vida dos ativos.

Autor

Sérgio Scheer

Diretor Técnico buildingSMART Brasil

Sérgio Scheer é professor titular aposentado da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde continua colaborando em atividades de pós-graduação e pesquisa relacionadas a BIM e transformação digital no setor AECO. Consultor em tecnologias da informação, comunicação e inovação, é um dos fundadores do BIM Fórum Brasil e diretor técnico da buildingSMART Brasil.