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Stefania Dimitrov: "A incorporação da IA pode ser uma aliada poderosa na busca por soluções inovadoras para desafios urbanos atuais”

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Stefania Dimitrov é arquiteta e urbanista, Gerente BIM e Inovação da Sondotécnica, Secretária da CEE-134 da ABNT, Vice-Presidente de Arquitetura do SINAENCO-SP e Conselheira administrativa do BIM Forum Brasil. No dia 31 de janeiro, participará do ZIGURAT Summit, em São Paulo, como palestrante no painel "BIM e Inteligência Artificial como estratégias para o Futuro".

Nesta entrevista, antecipamo-nosao evento para ouvir algumas de suas opiniões sobre o impacto direto de novas tecnologias, como BIM e Inteligência Artificial, no setor de construção.

O que te motivou a participar do ZIGURAT Summit?

A motivação para participar do ZIGURAT Summit Brasil 2024 reside na oportunidade única de contribuir e aprender em um fórum que coloca em destaque o papel fundamental da tecnologia na construção humanizada e tecnológica. Como Gerente BIM e Inovação na Sondotécnica, nossa missão é ir além do simples emprego de tecnologia na engenharia, buscando a parcela da criatividade humana.

Este evento oferece uma plataforma para compartilhar nossas experiências e insights sobre como a tecnologia, especialmente no contexto do Building Information Modeling (BIM), pode ser uma ferramenta eficaz não apenas para otimizar processos na indústria da construção, mas também para impulsionar uma transformação social significativa. Acreditamos no potencial da tecnologia para criar ambientes construídos mais humanizados, inclusivos e sustentáveis.

Participar do ZIGURAT Summit Brasil 2024 é uma maneira de estar na vanguarda dessas discussões, trocar conhecimentos com outros líderes do setor e contribuir para moldar o futuro da construção no Brasil, alinhado com nossos valores de inovação e responsabilidade social.

Em que situação a indústria se encontra atualmente em termos de BIM e Inteligência Artificial?

Atualmente, a indústria da construção enfrenta desafios significativos em relação à gestão da informação. Há lacunas na disseminação de informações entre diversos departamentos, dificuldades na interoperabilidade de sistemas para a troca eficiente de dados e perdas de informações em várias fases do ciclo de vida de um projeto. Essa falta de informação pode resultar em decisões inadequadas, atrasos, custos adicionais e impactos negativos na qualidade final da construção.

Nesse contexto, o Building Information Modeling (BIM) emerge como uma solução essencial para abordar essas questões. O BIM é, essencialmente, a modelagem da informação da construção, proporcionando uma abordagem integrada que vai além da representação visual tridimensional. Se utilizado de maneira adequada, o BIM se torna uma ferramenta poderosa para a gestão eficaz da informação ao longo de todo o ciclo de vida de um projeto de construção.

Ao organizar informações de forma referenciada no modelo digital, o BIM cria uma base estruturada para o armazenamento e recuperação de dados. Isso não apenas reduz a perda de informações, mas também facilita o acesso e a colaboração entre os diversos agentes envolvidos, desde a concepção até a operação e manutenção do ativo construído.

A incorporação da Inteligência Artificial (IA) nesse contexto aprimora ainda mais a eficiência e o valor do BIM. A IA pode ser aplicada para análise avançada de dados, previsão de tendências, melhoria de projetos e automação de processos. Além disso, ela desempenha um papel fundamental na manutenção preventiva do ativo construído, contribuindo para a identificação de problemas potenciais antes que se tornem críticos.

Portanto, a sinergia entre BIM e IA não apenas endereça as deficiências informacionais na indústria da construção, mas também abre portas para aprimoramentos substanciais em todas as fases do ciclo de vida do projeto. 

Qual é a fórmula para se consolidar como referência nessa área?

Consolidar-se como referência na indústria da construção, especialmente sendo arquiteta em um contexto majoritariamente de engenheiros e enfrentando desafios de gênero em um ambiente historicamente machista, requer uma abordagem estratégica e dedicada. Acredito que a chave para superar essas barreiras está firmemente ancorada no conhecimento e no estudo contínuo.

  • Comprometimento com a Excelência Profissional: Investir na busca constante pela excelência é fundamental. Buscar o aprimoramento de habilidades técnicas sólidas, profundo entendimento das práticas de construção, e um comprometimento com a qualidade em cada projeto são maneiras poderosas de desafiar estereótipos e conquistar respeito.
  • Educação Contínua e Especialização: Manter-se atualizada com as últimas tendências, tecnologias e práticas na arquitetura e construção é crucial. Buscar oportunidades de educação contínua, certificações e especializações amplia seu conhecimento além de apoiar o seu compromisso com o desenvolvimento profissional.
  • Participação Ativa em Eventos e Comunidades: Engajar-se ativamente em eventos, conferências e comunidades da indústria é uma maneira eficaz de compartilhar seu conhecimento, aprender com outros especialistas e desafiar preconceitos.
  • Empoderamento por meio do Conhecimento: Use sua posição para desafiar percepções equivocadas sobre a formação e o papel da arquiteta na construção. Empodere-se por meio do conhecimento, evidenciando o valor exclusivo que a perspectiva de um arquiteto pode trazer para projetos de construção.
  • Promoção da Colaboração Interdisciplinar: Destaque a importância da colaboração interdisciplinar na indústria. Mostre como a integração entre arquitetura e engenharia, por exemplo, é essencial para o sucesso de projetos. Essa abordagem reforça sua visão holística e compromisso com resultados eficazes.
  • Fomentar a diversidade e inclusão: Ao apoiar e incentivar colegas que podem enfrentar obstáculos indevidos no acesso a oportunidades de trabalho, é possível contribuir para uma cultura mais abrangente, na qual a igualdade de oportunidades é valorizada e promovida. Acredito que atitudes com esse propósito não só fortalece individualmente, mas também enriquece a indústria como um todo. 

Como você enxerga o futuro do setor?

Vislumbro o futuro da indústria da construção como uma jornada empolgante em direção a uma transformação impulsionada pela tecnologia e inovação. À medida que avançamos, antecipo um cenário onde a convergência de tecnologias como Building Information Modeling (BIM) e Inteligência Artificial (IA) se tornará ainda mais integral. 

A crescente digitalização do setor, impulsionada pelo BIM, não apenas revolucionará a maneira como concebemos e executamos projetos, mas também desencadeará uma mudança fundamental na abordagem colaborativa entre todos os stakeholders. Visualizo um ecossistema construtivo mais integrado, onde a informação flui de maneira eficiente, promovendo tomada de decisões mais assertivas. 

Contudo, é crucial que, ao abraçar essas tecnologias, permaneçamos atentos ao seu potencial para melhorar o ambiente habitado e diminuir as desigualdades socioespaciais existentes. Não podemos considerar normal que um quarto da população urbana mundial viva em favelas, muitas vezes sem um endereço oficial nos mapas. Ter endereço não é somente uma questão de representação, mas sim de pertencimento, de identidade. O futuro do setor deve incluir uma abordagem mais inclusiva, direcionando esforços para utilizar a tecnologia como uma ferramenta para promover a equidade, criando soluções que abordem questões cruciais, como o acesso à moradia adequada e a inclusão socioespacial. 

A incorporação da IA, quando aplicada de maneira ética e consciente, pode ser uma aliada poderosa na busca por soluções inovadoras para desafios urbanos atuais. Enxergo o setor da construção não apenas como um agente de mudança tecnológica, mas também como um catalisador para a construção de comunidades mais sustentáveis, inclusivas e justas. 

Participar do ZIGURAT Summit Brasil 2024 representa uma oportunidade única para explorar essas tendências, compartilhar insights e contribuir para a construção coletiva de um setor mais resiliente, eficiente e comprometido com a melhoria do ambiente habitado e a redução das disparidades sociais e espaciais.