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ZIGURAT Institute of Technology realizou a Construweek 2025, seu encontro anual sobre transformação digital no setor AECO, com uma mensagem clara: é hora de ir além do BIM e colocar o foco no Better Information Management — ou seja, na gestão rigorosa dos dados como motor para decisões mais acertadas, maior eficiência e mais segurança durante todo o ciclo de vida do ativo.
Durante três dias de sessões online gratuitas e multilíngues, em espanhol, inglês e português, especialistas envolvidos em projetos de grande escala debateram esse conceito.
Na sessão em espanhol, Jesús Perucho, CEO da BIM+ partners e professor do Máster en BIM Management em espanhol, comparou a evolução das exigências digitais em projetos como o Aeroporto da Cidade do México, programas modulares no Reino Unido e o masterplan de The Line, na Arábia Saudita.
Segundo ele, passamos de um BIM mínimo para um BIM orientado por processos e dados desde o início. Antes, bastava entregar um modelo 3D bem elaborado ao final. Hoje, define-se qual informação é necessária, como será gerada, validada e entregue ao longo do ciclo de vida. O resultado é menos atrito, maior previsibilidade e melhores decisões para arquitetos, engenheiros e clientes.
“Em 2014, o cliente pedia basicamente um LOD 300 no final. Hoje falamos de AIR/EIR (Asset/Exchange/Employer Information Requirements), BEP (Plano de Execução BIM), auditorias externas, CDE (Ambiente Comum de Dados) e entregáveis digitais muito bem definidos”, explicou.
Na linha de frente, María de los Ángeles Bernaquia, ex-aluna do Master em BIM Management e BIM Modeler na reforma do Camp Nou, lançou um desafio ao setor: “Ainda vemos modelos espetaculares em 3D cuja informação não serve para tomar decisões. É hora de sair da fase estética e passar para o BIM estratégico, com propósito real”.
Seu trabalho se apoia em quatro pilares: estrutura de dados —parâmetros e classificações—, CDE com regras claras, validação automatizada e entrega da informação planejada a partir das necessidades do cliente. Entre os impactos reais, destacou uma redução de 25% no tempo dedicado à validação de interferências e quantidades em projetos MEP, além de economias relevantes graças à detecção precoce de conflitos.
A parte dedicada à infraestrutura foi liderada por Angélica Ortiz Arteaga, diretora de BIM no consórcio IUYET e coordenadora de Inovação e Tecnologia da CMIC CDMIX.
Com o caso do Trem Interurbano México–Toluca, ela mostrou o uso de captura da realidade, modelagem georreferenciada, planejamento e coordenação no BIM 360/Autodesk Construction Cloud e simulações logísticas para antecipar riscos.
A modelagem evitou impactos críticos —como rotas sobre infraestruturas existentes—, otimizou o transporte de peças especiais e permitiu treinar operadores com simuladores conectados ao modelo digital.
“Para cada dólar investido em planejamento e projeto, você pode economizar dois na obra e até sessenta na operação”, afirmou.
A última apresentação da sessão foi de Patricia Isla Delgado, aluna do Master em BIM Management em Engenharia Civil e GIS da ZIGURAT e responsável por BIM na Q-SAFETY.
Em sua apresentação sobre BIM aplicado à segurança e à saúde, destacou: “O diferencial está no ‘I’ de Informação: proteções, sinalização, riscos e fases precisam ser modelados, planejados e rastreados”.
Com base na ISO 19650, Patricia defendeu o uso de modelos virtuais para antecipar interferências entre atividades, realizar o acompanhamento por meio de tablets, extrair medições e orçamentos e simular momentos críticos em 4D.
A conclusão foi unânime. Segundo Perucho: “O desafio não é só modelar; é gerir comunicação, colaboração e rastreabilidade. Melhores dados, melhores decisões”.
Ou, nas palavras de Bernaquia: “A pergunta central é se a nossa gestão da informação gera valor real em todo o ciclo de vida do ativo”.
Para mais informações, acesse a sessão completa da Construweek 2025 em português.
Em 2026, a Construweek dá continuidade a essa conversa, com foco na aplicação do BIM em megaprojetos internacionais como Qiddiya City, o Santiago Bernabéu e a Linha 6 do Metrô de São Paulo.
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