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Mais de 700 profissionais de mais de 100 países participam da segunda edição do ZIGURAT AI Congress

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A ZIGURAT Institute of Technology realizou a segunda edição do AI Congress for Architecture & Construction, um encontro internacional online que reuniu mais de 700 profissionais de mais de 100 países em torno de um desafio comum: como aplicar a inteligência artificial de forma eficaz, segura e mensurável em projetos do setor AECO.

Para facilitar a participação global, o congresso contou com três sessões: em espanhol, português e inglês. As duas primeiras aconteceram no dia 18 de março, e a sessão em inglês no dia 25 de março.

Após o sucesso da sua primeira edição, o AI Congress consolida-se como um espaço de referência para analisar o impacto real da inteligência artificial na arquitetura, engenharia e construção, com foco na aplicação prática e na tomada de decisão baseada em dados.

O desafio da IA no setor AECO: a qualidade dos dados

Um dos principais consensos do congresso foi que o desafio atual do setor já não está na disponibilidade de tecnologia, mas sim na qualidade, organização e uso dos dados.

Nesse sentido, Evelio Sánchez, especialista em tecnologia aplicada ao setor AECO e professor do Máster en Inteligencia Artificial para Arquitectura y Construcción (em espanhol) da ZIGURAT, destacou durante a sessão em espanhol que “a inteligência artificial amplifica a qualidade dos dados existentes: se os dados estão errados, os erros se multiplicam”, reforçando a necessidade de trabalhar com bases de informação estruturadas e confiáveis.

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Esse cenário reflete uma realidade cada vez mais presente no setor: a digitalização avançou significativamente nos últimos anos, mas nem sempre foi acompanhada por uma estratégia sólida de gestão de dados.

Durante a edição em inglês, os especialistas abordaram outro risco crítico: a interpretação incorreta dos dados.

Thiago Caldeira, Director of AI Solutions at Contango, alertou que “os dados não são o único problema, o verdadeiro desafio é como extrair insights úteis deles e transformá-los em ação”, destacando a dificuldade de converter grandes volumes de informação em decisões confiáveis.

Além disso, reforçou que correlação não implica causalidade, um ponto especialmente relevante em projetos de construção, onde decisões baseadas em conclusões equivocadas podem impactar diretamente custos, prazos e resultados.

Por sua vez, durante a edição em português, Ítalo Guedes, especialista em Deep Learning, diretor e professor do Master em Inteligência Artificial para Arquitetura e Construção da ZIGURAT e diretor executivo da IG Consultoria, aprofundou a discussão sobre como os sistemas de inteligência artificial são construídos a partir de dados. Ítalo destacou que “os dados são a base de qualquer sistema de inteligência artificial: se não entendermos como adquiri-los, prepará-los e estruturá-los, é muito difícil que os modelos funcionem corretamente. De fato, até 80% do esforço em projetos de IA está relacionado ao tratamento de dados.”

Essa visão evidencia uma das principais lacunas do setor AECO: a distância entre a geração de informação digital por meio de modelos BIM ou outras ferramentas e sua capacidade real de ser utilizada como base para sistemas inteligentes.

Do potencial à implementação: o verdadeiro desafio

Além dos aspectos técnicos, o AI Congress destacou a necessidade de avançar de uma fase de experimentação para a implementação real da inteligência artificial em projetos.

Como explicou Fernando Iglesias, diretor do Máster en Inteligencia Artificial para Arquitectura y Construcción da ZIGURAT, o desafio atual passa por estruturar corretamente os dados e os processos para que a tecnologia possa gerar valor ao longo de todo o ciclo de vida dos projetos.

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Na mesma linha, Lilian Ho, Associate Director Digital & BIM Lead na AECOM e diretora da edição em inglês do Master (Master’s in Artificial Intelligence for Architecture & Construction), destacou a necessidade de novos perfis profissionais capazes de conectar tecnologia, dados e tomada de decisão, em um contexto de crescente pressão por eficiência, sustentabilidade e produtividade.

O congresso também abordou uma questão central no uso da IA: a ética e a necessidade de integrar critérios de governança.

Nesse contexto, Belén Pérez, consultora sênior de GRC na Govertis (Telefónica Tech), afirmou que “antes de utilizar ferramentas de inteligência artificial, é fundamental entender o que podemos e o que não podemos fazer, priorizando sempre a segurança”, destacando temas como proteção de dados, propriedade intelectual e riscos associados ao uso de plataformas externas.

Por sua vez, Sidrah Hassan, especialista em ética e estratégia em IA na Ethical AI Alliance, reforçou que a adoção dessas tecnologias deve estar alinhada a marcos regulatórios e princípios claros que garantam seu uso responsável, em linha com normativas como o AI Act europeu e o GDPR.

O interesse dos participantes, provenientes de mais de 100 países, reforça o AI Congress como um ponto de encontro global para profissionais que buscam compreender como integrar a inteligência artificial de forma estratégica e segura em seus processos.

Em um contexto de aceleração da transformação digital no setor AECO, o congresso deixa uma conclusão clara: a inteligência artificial, por si só, não gera valor; é a combinação de dados de qualidade, governança e conhecimento especializado que determina seu impacto real nos projetos.