openBIM é um processo colaborativo e inclusivo que visa promover a interoperabilidade em benefício de empreendimentos e ativos ao longo do ciclo de vida. É baseado em padrões e fluxos de trabalho abertos que permitem aos envolvidos o compartilhamento de seus dados a partir do uso de sistemas BIM compatíveis. É um processo colaborativo baseado em padrões abertos e neutros, independente de fornecedores.

Definido pela buildingSMART International, o openBIM visa a melhoria da qualidade das edificações e obras de infraestrutura. Busca combater diretamente as ineficiências da fragmentada indústria da construção promovendo uma mudança de mentalidade para a consciência sobre os benefícios da transformação digital.

No blog BIM Experts da Zigurat de maio de 2019 o tema openBIM já foi tratado, e aqui neste texto você encontra mais algumas informações sobre o importante assunto.

Padrões abertos e openBIM


A buildingSMART como entidade internacional sem fins lucrativos visa a promoção de padrões neutros e abertos como o IFC, BCF, IDM e outros, atendendo as fases de projeto, execução e operação dos ativos de construção.

Benefícios do openBIM


O openBIM promove a criação e utilização de padrões de fluxos de trabalho (workflows) transparentes, dedicados e documentados que ajudam as atividades das equipes interdisciplinares envolvidas, evitam erros de comunicação e provêm a acessibilidade aos dados de um empreendimento ou ativo de construção. 

Pelo compartilhamento de informações, suportam a colaboração e inequivocamente estes fluxos promovem benefícios aos negócios e à sociedade.

openBIM amplia os benefícios do BIM melhorando a acessibilidade, usabilidade, gestão e sustentabilidade dos dados digitais na cadeia produtiva da construção.

Em destaque, segundo a buildingSMART International a utilização do openBIM garante que:

  • a interoperabilidade seja a chave para a transformação digital da indústria da construção;
  • normas e padrões abertos e neutros devem ser desenvolvidos para facilitar a interoperabilidade;
  • a confiabilidade das trocas de dados depende de comparativos de qualidade independentes;
  • fluxos de trabalho para colaboração são melhorados pelos formatos de dados abertos e ágeis;
  • a flexibilidade de escolha da tecnologia cria mais valor para os envolvidos; e,
  • a sustentabilidade é resguardada por normas e padrões de interoperabilidade com longa duração. 

Interoperabilidade e a buildingSMART


Um dos pilares fundamentais do BIM é a interoperabilidade. Trata-se da ideia de intercâmbio de dados entre sistemas de fabricantes diferentes e de diferentes especialidades ou áreas da indústria. 

No processo de desenvolvimento de um projeto em BIM, os dados de um modelo BIM precisam ser compartilhados entre as equipes multidisciplinares envolvidas nos diversos processos relacionados com o ciclo de vida do empreendimento. Elas devem trabalhar de forma colaborativa podendo utilizar sistemas diferentes em ambientes em rede local ou na nuvem.

A interoperabilidade e proporcionada pela utilização de padrões e formatos neutros e abertos e permite o intercâmbio e compartilhamento de dados sem a necessidade de remodelagem do projeto pelos diferentes profissionais e sistemas envolvidos no processo.

Padrões abertos da buildingSMART


No enfoque do openBIM a buildingSMART promove um desenvolvimento consensual entre os envolvidos nos padrões específicos para aceleração da implementação e uso. Os padrões da buildingSMART cobrem um conjunto abrangente e único de capacidades em relação a processos e informações para a indústria do ambiente construído, incluindo:

  • Um esquema de modelo de dados (data schema) específico para a indústria da construção – norma internacional ISO 16739-1:2018 – Industry Foundation Classes (IFC)
  • Uma metodologia para definição e documentação de requisitos de processos de negócios e de dados – norma internacional ISO 29482-1:2010 – Information Delivery Manual (IDM);
  • Especificações de intercâmbio de modelo de dados – Model View Definitions (MVD) – um subconjunto do esquema IFC (IFC View Definition) para descrever dados de intercâmbio para um fluxo de trabalho específico, atendendo requisitos de troca de informações; para descrição de um MVD é utilizado o padrão  IDM;
  • Protocolos de comunicação baseados em modelos e independentes de software, com o BIM Collaboration Format (BCF) que  permite a comunicação entre  diferentes aplicativos BIM utilizando padrões abertos de formatos de arquivo e protocolos de comunicação de dados (https://technical.buildingsmart.org/standards/bcf/); e,
  • Como um serviço de apoio ao uso dos padrões da bSI, o bSDD – http://bsdd.buildingsmart.org/), auxiliando no fluxo de trabalho para encontrar classificações, entidades, propriedades e valores adequados; é uma biblioteca (padronizada) de definições gerais para objetos BIM e seus atributos e um amplo conjunto de informações relacionadas  (normas, sistemas de classificação, documentos regulatórios, etc)  – buildingSMART Data Dictionary (bSDD) – aderente à norma IFD (International Framework for Dictionaries – norma internacional ISO 12006-3).

Mais detalhes técnicos podem ser acessados no site https://technical.buildingsmart.org/

O tripé de padrões neutros


Com este conjunto de padrões a abordagem da buildingSMART para tratar com modelos BIM (e com base na especificação de definição da visão de modelo MVD) e garantir fluxos informacionais consistentes é baseada em um tripé de três normas internacionais para estes padrões abertos e neutros: um formato para troca de dados (IFC), um modelo de descrição de processos (IDM) e uma descrição padronizada (terminologia – IFD e serviços bSDD)

OpenBIM

Tripé de padrões abertos para openBIM. Fonte: BuildingSMART

IFC – um esquema neutro e aberto de dados

Um padrão como o IFC permite, por exemplo: a realização de verificação de interferências geométricas, análises de normas com uso de parâmetros, estimativa de custos, simulações mais simples, etc. (veja mais em  https://technical.buildingsmart.org/standards/ifc).  

IFC é uma (especificação para) descrição digital padronizada de um ativo da indústria da construção (componentes, objetos, partes da construção ou a própria construção). É um padrão internacional aberto e neutro, independente de fabricantes.

IDM – processos e o manual de entrega de informação

O IDM visa facilitar a interoperabilidade entre softwares para promover a colaboração entre os participantes e fornecer uma base para a troca de informações de maneira precisa, confiável, replicável e com qualidade (http://bimdictionary.com/en/information-delivery-manual/).

IFD e bsDD – Terminologia em contexto

Dentre as normas brasileiras de BIM, a primeira foi lançada em 2010 e com revisão publicada em 2018 – ABNT NBR ISO NBR 12006-2:2018. Essa parte 2 da norma dá suporte ao conceito de IFD que constitui a terceira parte da mesma norma internacional. A bSI para facilitar o uso dessa norma internacional criou o serviço buildingSMART Data Dictionaries (bSDD), como uma solução na nuvem com listas de objetos, propriedades e conceitos relacionados com aplicações do BIM. Cada entrada nesta base de dados é mapeada para as definições e possíveis derivativos relativos ao conceito consultado, em diferentes contextos e línguas.

Disseminação e uso dos padrões openBIM


Em suma, openBIM é um enfoque universal para desenvolvimento de empreendimentos de construção nas fases de projeto e execução, bem como de gestão do ativo construído na fase de operação e manutenção. Como uma metodologia o openBIM suporta transparência, colaboração aberta a todos os participantes do empreendimento não importando qual o software em utilização.

No enfoque do openBIM a buildingSMART desenvolve os chamados padrões abertos como soluções específicas para: intercâmbio de dados nos processos com uso de BIM ao longo do ciclo de vida de um empreendimento de construção: BCF, IDM/MVD, IFD/bsDD e IFC.  

É importante notar que a bSI como organização responsável por estes padrões destacados neste texto, conta com 26 capítulos internacionais como organizações nacionais associadas, que desenvolvem e promovem a aplicação de padrões abertos em diversas regiões do mundo. 

 

Autor:  Sergio Scheer, professor do Master Internacional em BIM Management da Zigurat Global Institute of Technology.

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