Pode-se dizer que o BIM (Building Information Modeling) tem sido aplicado de forma mais contundente a partir da década 1970. Inicialmente, o foco da indústria de tecnologia BIM era a documentação que direcionava o processo de construção e projeto, e que acabou resultando em diversos produtos tecnológicos para suporte ao desenho assistido por computador (CAD).

É comum afirmar que o BIM é um processo para obter mais eficiência durante o projeto e a construção. Hoje em dia, as indústrias de arquitetura, engenharia e construção (AEC) estão indo além dos desenhos CAD para modelos 3D com atribuições focadas no projeto e que se tornam o ponto focal de comunicação durante a construção e desenho da obra. Esta indústria agora foca cada vez mais no BIM como uma abordagem rica em informações capaz de capturar o projeto nos seus mínimos detalhes através de um modelo robusto. Ele pode incluir modelagem gráfica inteligente do mundo real com foco desde gestão físico-financeira para até mesmo simulação de como este novo ativo se comportará no meio ambiente após a construção.

Devido ao forte processo de êxodo rural que afeta todo o planeta, cada mais vez pessoas estão habitando espaços urbanos, aumentando a pressão sobre a infraestrutura existente e necessitando cada mais de novas infraestruturas. Para atender esse desafio, é fundamental entender como pessoas e espaço geográfico se relacionam. Compreender o espaço geográfico é sobre compreender contexto. Através da capacidade de integração de dados, análises avançadas e visualização, os Sistemas de Informações Geográficas (GIS) sempre foram capazes de prover esse contexto.

Informações geoespaciais sobre ativos e sobre as comunidades onde estão inseridos são fundamentais. Elas ajudam a identificar formas de acomodar as mudanças e o crescimento na comunidade, mantendo saudáveis os cidadãos, os negócios e o meio ambiente. As geotecnologias provêm recursos para análises geográficas através de dados geoespaciais e que permitem olhar para além da obra em sí.

Neste contexto, modelos 3D de estruturas normalmente invisíveis, como ativos suberrâneos (Figura 1), podem ser visualizados e geridos através do uso de GIS. Além disso, o impacto de determinadas estruturas, como projeção de sombras, limitações de fluxo, redução de vistas, e etc. podem ser avaliados e reavaliados enquanto o design da obra está sendo produzido.

Análise Geoespacial

Figura 1 – Ativos subterrâneos visualizados em 3D, juntamente com Hidrografia, Arborização e outras feições geográficas. Fonte: Cadalyst

Uma das necessidades mais latentes nos últimos anos tem sido uma melhor integração e interoperabilidade entre BIM e GIS. Um dos atrativos desta integração é que ela oferece benefícios durante todo o ciclo de vida do projeto, desde a fase de investigação inicial do local até a fase de design e aprovação e, finalmente, durante a fase de interação com a comunidade e as partes interessadas.

Do lado do design de projeto, engenheiros e arquitetos geralmente tem dificuldade em acessar informações geoespaciais atualizadas e precisas. Informações sobre zoneamento urbano, malha viária, restrições ambientais, uso do solo, densidade demográfica e etc. tendem a ser difíceis de se encontrar ou até mesmo impossível.

Do lado dos especialistas em GIS, é necessário lidar com fluxos de trabalho complexos e com perdas significativas de dados quando se converte informação de BIM para camadas de GIS. Diferenças de escala espacial e a riqueza de detalhes dos ambientes BIM exige muito esforço de quem trabalha com GIS para conseguir compatibilizar todas essas informações e fazer com que o usuário possa ter uma experiência única de visualização e análise, tendo em um mesmo ambiente computacional desde detalhes sobre instalações elétricas e hidráulicas da obra, até feições de relevo e cobertura vegetal do entorno, por exemplo (Figura 2). Uma forma simples de olhar essa integração é: BIM é útil para gerenciar dados de tudo que está dentro da construção, enquanto o GIS é aplicado para o que está do lado de fora.

Análise Geoespacial

Figura 2 – Projeto integrado de BIM e GIS para construção rodoviária Fonte: Revista Itransporte

É possível criar uma réplica digital para visualizar precisamente a infraestrutura nas fases principais do desenvolvimento e entender o resultado final criado. Também é possível realizar a detecção visual de interferências dos serviços antes de finalizar a documentação, e confirmar a conformidade do local com os requisitos gerais da obra (Figura 3).

Análise Geoespacial

Figura 3 – Visualização 3D em um WebGIS de um projeto ferroviário, com informações de LiDAR e Ortofotos do entorno. Fonte: Rail Baltica

A integração também oferece suporte aos objetivos de marketing e vendas, como a ativação de anúncios e publicidade mais envolventes por meio de exibições interativas em 360° ou voos panorâmicos virtuais, oferta de portais da web interativos com reconhecimento de localização e entrega de um componente preciso de realidade virtual.

Atualmente, já existem soluções muito robustas para facilitar essas integrações e que tem sido magistralmente conduzidas pela Autodesk e pela Esri, duas gigantes tecnológicas que tem dedicado os últimos na definição de padrões de intercâmbio de informações e integração de seus principais produtos, como os softwares AutoCad e o ArcGIS. Porém, isso requer muito mais que a colaboração de fabricantes de software. A união de GIS e BIM tem um enorme potencial para liderar projetos cada vez inteligentes e mais eficientes, desde que Governos e instituições que atuam com AEC estabeleçam especificações para que BIM e GIS possam ser utilizadas de forma integrada e plena e que beneficiem cada vez mais consistentemente o setor e a sociedade como um todo.

Autor: André Gavlak, Bacharel em Geografia com ênfase em Climatologia (UNESP / 2008), tecnólogo em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (UNICID / 2018) e Mestre em Sensoriamento Remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE / 2011). Atualmente é Doutorando em Geografia Física pela Universidade de São Paulo (USP), Arquiteto de Soluções na empresa Imagem – Soluções de Inteligência Geográfica e professor no Zigurat Global Institute of Technology.

Obrigado por se inscrever. Você começará a receber nossas novidades na sua caixa de entrada.
Parece que descobrimos um erro no seu novo pedido de inscrição. Por favor, tente novamente em alguns minutos ou envie um email para [email protected]

Inscreva-se en Engenheiros & Arquitetos

Receba as atualizações entregues diretamente na sua caixa de entrada!