Esta entrevista foi publicada em maio de 2022 em espanhol e inglês, no número 5 da Mosaic, a revista dedicada à comunidade Alumni da Zigurat. Deseja ver toda a revista? Clique aqui.

 

Qual é a sua formação acadêmica? 

Em 1994, fiz a escola técnica de edificações. Posteriormente, acabei fazendo engenharia civil e vim estudar para fazer um Master. Acabei indo no doutorado, só que a meio do caminho acabei me especializando na parte de estruturas e descobrindo uma oportunidade de docência aqui em Brasília onde eu já resido há 20 anos. Hoje, conto com 27 anos de experiência prática em engenharia

Como conheceu a Zigurat?

Em 2007, no Master, tive a oportunidade de trabalhar com alguns projetos internacionais que utilizavam engenharia simultânea. A engenharia simultânea era o que tínhamos de mais moderno naquele momento. A metodologia era muito interessante, não especialmente pela tecnologia, mas pela organização entre todos os participantes e isso gerava uma produtividade fenomenal. Nessa altura, a internet não estava ainda bastante difundida; não era uma realidade para todos. 

Ao longo de 2007 até 2011, a metodologia BIM começou a surgir. Eu sabia de BIM, mas no Brasil ainda não era muito estendido. Então, pelo interesse na metodologia, fui procurando cursos. Foi aí que eu acabei conhecendo a Zigurat, pesquisando cursos de referência. Em 2014 não existia ainda a versão em português. Foi em 2015 que se lançou o primeiro em português. Eu entrei nessa turma, mas devido à minha carga de trabalho, que atualmente continua até maior do que na época, tive de interromper. Retomei em 2017 e me formei como BIM Manager pela Zigurat. 

Como foi a experiência de estudar na Zigurat?

Tudo isto exige disciplina para que você consiga alcançar os objetivos e cumprir com a carga horária que é diferente da dos cursos aqui no Brasil. A carga é 30% a 40% maior do que em outros cursos. Sobrevivi a tudo isto com várias madrugadas e graças a muita contribuição do trabalho em equipe. Isto foi um diferencial, porque uma das premissas do curso é a organização das equipes ao longo de toda a formação. Isto, acrescentando ao fato de se tratar de um Master internacional, converte o Master numa excelente possibilidade de fazer networking, ter contato com alunos de outros países, nomeadamente portugueses e africanos, conhecer as diferentes experiências, culturas e aprender a trabalhar com diferentes fusos horários. 

Como nasceu a ideia do Master em Estruturas de Edificações?

Eu já era docente desde 2002 na área de estruturas. Além disso, também já era professor de mestrados e pós-graduações no Brasil. Depois de acabar o curso como aluno na Zigurat, vi que existiam outros cursos. Perguntei ao coordenador se tinha a ideia de trazer o curso de estruturas para a língua portuguesa. Faltava alguém para dar o primeiro passo. Aceitaram e organizamos o curso. 

Como foi a construção do curso?

Como já existia em espanhol, tivemos que entender esse Master e fazer a sua adaptação para a realidade brasileira. Os conteúdos são similares, mas não são iguais. Tivemos que considerar as normas nacionais e também algumas normas internacionais. Por exemplo, no Brasil não trabalhamos com terremotos e arranhas-céu não são o foco. Outro diferencial é que a versão espanhola usa um só software e na versão em português utilizamos mais.

Como foi a seleção dos professores?

Quis ter uma equipe formada por professores com muita experiência prática, mas também com experiência acadêmica. E também quis que esses professores representassem as cinco regiões do país, trazendo diversidade à equipe docente. Então do Norte, temos o professor Rogério Lima; do Nordeste, os professores Márcio Cunha e Ítalo Salomão; do Sudeste: o professor Leandro Zabeu; do Centro-Oeste: eu. Só não temos um professor do Sul. Apesar do professor Rafael Rigoni ser de lá, ele mora agora em Campinas – São Paulo.

Qual é a importância do tema do Master em Estrutura de Edificações no mercado de trabalho?

O mercado exige que os profissionais estejam sempre se adaptando, em qualquer lugar do mundo. E também exige maturidade, que se ganha com experiência e tempo. Então, o Master tem este aspecto, de dar a maturidade a quem precisa. Neste sentido, o Master está pensado para quem acabou de se formar, para quem já lida com uma tipologia de estrutura (por exemplo, só concreto ou só aço) e quer aprender outra. Também está pensado para quem já está no mercado e quer se reciclar e conhecer outras ferramentas, mas não tem tempo de fazer isso sozinho e quer que seja de uma forma condensada.

Por outro lado, o Master tem uma característica importante que é oferecer prática, com conteúdo teórico aplicado. Além disso, apresenta uma formação coerente e continuada, já que os alunos partem das bases de projeto e passam por todas as etapas até a sua conclusão, o que dá completude ao conteúdo. Para que isso seja possível, trabalhamos com a continuidade entre todos os conteúdos do Master e desenvolvemos um único projeto ao longo do curso, que é o Trabalho Final de Master, feito de forma acompanhada pela equipe de professores. 

Por último, podemos destacar que é uma formação em projetos de estrutura de edificações, na qual abordamos duas edificações base: um edifício e um edifício garagem ou galpão, que pode ser em aço, concreto ou pré-fabricados. E estas duas estruturas de edificação são perpassadas de forma contínua e acopladas ao Trabalho Final de Master.

O que representa para você ser o diretor do Master em Estruturas?

É como ser o líder de um projeto que tem o papel de cumprir os objetivos elencados e fazer com que todos os recursos à disposição sejam utilizados e disponibilizados corretamente. Como gestor e professor, também devo criar um ambiente adequado de troca de informações, parceria, amizade e bom relacionamento profissional. Além disso, devo trazer a responsabilidade desses profissionais, não só na parte do estudo, mas também na importância que um recurso humano tem para um projeto. Então, como diretor, eu tenho não só de prover o cumprimento da meta a terminar, mas também devo proporcionar uma boa relação entre professores e alunos, entre os próprios alunos, e entre os produtos elaborados. Sou responsável pelo início da engrenagem e pela lubrificação. Tenho que ir vendo se está dando tudo certo. 

Como você vê o Master no futuro?

Imagino que traga uma recolocação profissional para quem está procurando isso. Pode se tornar necessária aos ciclos de trabalho, trazendo uma perspectiva de recursos humanos, a aposta pela qualidade e entrega do produto, e a atualização profissional. 

Esta entrevista foi realizada no contexto do projeto Alumni da Zigurat e publicada no último número da revista Mosaic, em maio de 2022. Deseja ver a revista? Preencha o formulário.


Li Chong, Engenheiro Civil Doutor em Estruturas e Construção Civil e International Master BIM Manager em Infraestruturas. Analista de Infraestrutura da Controladoria Geral da União – CGU. Atua principalmente em Soluções inteligentes em projetos, implantação e operação BIM. Elaboração de projetos estruturais, estruturas especiais e de grande porte, fundações e contenções, reabilitação e reforço.

 

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