Durante a última Zigurat Student Week 2019, Morgana Schuler e Rafaela Jung, estudantes Master BIM Management, receberam um merecido reconhecimento por sua proatividade, dinamismo e preocupação durante os dias de do evento em Barcelona. Por essa razão e por sua enorme projeção como profissionais, queríamos saber um pouco mais sobre o caminho que tomaram em Zigurat, assim como o caminho que os espera em um futuro próximo. Começamos com a Morgana.

Qual é o seu perfil e trajetória profissional?

Minha área de atuação é a de projetos arquitetônicos, principalmente nas aprovações legais
e documentação de projetos. Venho da área financeira, de gestão comercial e estou finalizando a formação em Arquitetura e Urbanismo paralelamente à especialização em BIM. Coordeno o processo de implantação BIM em um escritório de arquitetura e engenharia onde estamos sistematizando procedimentos, realizando treinamentos e trabalhando em projetos piloto com a metodologia.

Qual é o nível de adopção da metodologia BIM no Brasil?

O BIM caminha a passos largos no Brasil graças ao esforço de vários núcleos de profissionais dedicados a desenvolver normativas para padronizar os trabalhos realizados dentro da metodologia. Contratantes, ao exigir BIM em projetos, também incentivam os profissionais a se atualizarem para que se mantenham competitivos. Há alguns desafios ainda para que alcance todo o potencial de benefícios que pode oferecer, principalmente porque depende de uma rede de profissionais de várias disciplinas que estejam habilitados e trabalhem de forma colaborativa.

Mas, sem dúvidas, o Brasil se desenvolveu muito nesse sentido nos últimos anos e o
aquecimento previsto para o setor faz com que a perspectiva para os próximos seja bem
animadora.

Que oportunidades pode trazer o BIM ao setor da construção?

O BIM auxilia em se fazer processos mais eficientes e a entrega de um modelo com uma
infinidade de informações agregadas oferecendo uma base consistente para a tomada de
decisões. Possibilita que se detecte com antecedência, ainda em fase de projeto, possíveis
obstáculos que seriam encontrados apenas durante a execução da obra, minimizando assim retrabalhos e perdas já que vários profissionais podem trabalhar simultaneamente no mesmo projeto e compatibilizar as disciplinas de forma mais ágil. Permite ainda, a melhoria de todo o contexto projetual, já que fornece possibilidades de simulações e de alternativas além de permitir a gestão durante todo o ciclo de vida do edifício.

O que é para você um BIM Manager?

Um BIM Manager é um profissional capaz de reunir competências de gerenciamento tanto da construção e seus processos e tecnologia quanto de projetos e pessoas. Deve reunir um
conjunto bem diversificado de habilidades para viabilizar a fruição dos processos, o nível e a
forma ideal de colaboração e interoperabilidade e trazer soluções específicas para cada projeto e equipe atendidos.

Como te preparou a metodologia colaborativa do master para o dia-a-dia de um projeto BIM? Ajudou-te a trabalhar com projetos reais desde o início da formação?

No Master trabalhamos em projetos de forma colaborativa e em diferentes funções dentro
do projeto. Isso possibilita desenvolver várias habilidades. Como em um projeto real, houve a necessidade de se buscar estratégias para resolver vários tipos de desafios nos diversos perfis em que atuamos dentro do projeto. Essa oportunidade foi bastante favorável porque prepara para situações reais do dia a dia de trabalho.

Você foi um dos participantes mais destacados da Student Week 2019 de Barcelona, como você viveu a experiência?

Participar da Student Week foi incrível! A troca de experiências com tantos profissionais de
várias realidades, culturas e níveis de maturidade BIM além das palestras, workshops e visitas traz sem dúvidas um valioso incremento à formação e amplia os horizontes. Ser reconhecida como destaque nessa edição foi muito gratificante.

 

Continuamos com a entrevista da Rafaela…

Qual é o seu perfil e trajetória profissional?

Me formei há 3 anos em engenharia civil e Iniciei a minha trajetória profissional, trabalhando com projetos complementares de engenharia em um escritório de projetos integrados. Posteriormente, comecei a trabalhar em uma construtora, com implementação de BIM, principalmente na área de desenvolvimento de projetos.

Quais são os seus objetivos e desafios profissionais para 2020?

Consolidar a implementação do BIM na construtora em que trabalho, através de um projeto piloto que envolva do desenvolvimento de projetos à execução. Além disso, pretendo desenvolver habilidades em programação e análise de dados aplicados à informação da construção.

Quais são os desafíos para os projetos de edificações em essa nova década?

Acredito que os grandes desafios estejam relacionados à sustentabilidade durante o ciclo de vida do empreendimento, eficiência das edificações, integração com tecnologias e digitalização, adaptações ao bem estar do usuário, bem como a urbanização. Entendo que cada vez mais precisamos utilizar os diversos recursos de maneira sustentável, tanto naturais, quanto industrializados, de forma que nossas edificações precisam ser cada vez mais eficientes em termos de construção e operação, o que só será possível, em um nível mais otimizado, se conseguirmos digitalizar o setor. Além disso, é cada vez mais importante entender o usuário dessas edificações, para que atendam de forma otimizada suas necessidades e demandas.

Qual é o nível de adopção da metodologia BIM no Brasil?

É um pouco complexo falar em um nível específico, pois temos diferentes empresas trabalhando em distintos usos e frentes. Ainda, classificar a adoção conforme nivelamento internacional, como do Reino Unido (BIM Level 1, Level 2 e Level 3, seria ignorar as idiossincrasias de estratégias nacionais. De maneira geral, entendo que ainda exista pouca colaboração no desenvolvimento de BIM, embora exista muito compartilhamento de modelos e processos. No entanto, acredito que muitos estejam se encaminhando para um processo mais colaborativo, que ainda precisa do apoio de padrões nacionais que já estão em desenvolvimento, mas ainda não finalizados.

Que oportunidades pode trazer o BIM ao setor da construção?

Entendo que o BIM pode trazer mais assertividade, maior controle da informação e dados e melhor avaliação sobre os recursos utilizados, auxiliando em uma tomada de decisão mais consciente. Além disso, percebo o BIM como ferramenta indispensável à transformação digital da indústria AECO.

Agora que você já terminou o master e conhece em profundidade as suas características, como mudou a sua visão deste perfil? As expectativas coincidem com a realidade?

Acredito que a realidade acabou superando um pouco as expectativas que tinha do perfil. Primeiramente, antes do master, não entendia dos diversos perfis de profissionais BIM, quando na verdade são vários. Além disso, parecia um mero implementador de uma tecnologia, quando se aprende, que na verdade, é um cargo com perfil de gerenciamento, solucionador de problemas diversos, através de diferentes tecnologias e metodologias.

Como te preparou a metodologia colaborativa do master para o dia-a-dia de um projeto BIM? Ajudou-te a trabalhar com projetos reais desde o início da formação?

Acredito que o master, por ser baseado em trabalhos muito práticos e voltado à solução dos problemas colocados, vai preparando o aluno para situações reais a partir da simulação delas. As reuniões que fazíamos com equipe de trabalho da disciplinas abordadas, apresentavam dinâmica semelhante à enfrentada no dia-a-dia do desenvolvimento de projetos de um empreendimento. Nesse contexto, percebo que aplico muitas das habilidades aprendidas no master também na prática, alinhado tudo com o conhecimento teórico, de forma que não se tornam realidades separadas: a do ensino e a do mercado.

Como você pensa que irá evoluir o seu perfil profissional num futuro próximo?

Entendo que minha evolução profissional estará inevitavelmente relacionada e envolvendo o BIM. A tendência agora é trabalhar com a digitalização do setor, campo em que acredito que ainda existem muitas oportunidades de melhoria, além de integração de sistemas através da classificação da informação. O BIM configura de uma maneira ou de outra, base para esses nichos.

Você foi um dos participantes mais destacados da Student Week 2019 de Barcelona, como você viveu a experiência?

Foi uma das experiências profissionais mais enriquecedoras que já tive. Além dos workshops muito ricos em conteúdo, a oportunidade de ter contato com profissionais de todo o mundo, que estão trabalhando com BIM, foi muito importante. Compartilhar experiências, oportunidades e desafios com tantos profissionais, foi um dos melhores aspectos, sem dúvida.

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